quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Há dias em que nos sentimos assim. Hoje é um desses dias.

Leia Mais…

Línguas de Perguntador (In "Voz do Minho" de 29/10/2008)

Dia 29 de Outubro, caros leitores, é o Dia Nacional do Livro no Brasil. Mas, em Portugal, é o dia em que as Línguas de Perguntador chegam, mais uma vez, para partilhar convosco algumas “bisbilhotices” que são fruto da nossa imensa curiosidade. Sim, porque “juramos de pés juntos” que durante toda a semana andámos a “queimar pestanas” a fim de encontrar um significado para as expressões que sempre utilizámos mas que “não percebíamos patavina” do seu significado. E agora deve estar a perguntar-se: mas que rebeldia escrever num jornal expressões como “jurar de pés juntos”, “queimar pestanas” ou “não perceber patavina”. Nós passamos então a explicar, “ok”? Comecemos, então, pelo tão vulgar “ok”. Desengane-se quem pense que é um termo actual, utilizado pelos jovens. Está expressão inglesa “ok” (okay), que é mundialmente conhecida para designar “tudo bem”, teve origem na Guerra Civil Americana (também conhecida em português como Guerra de Secessão) que decorreu nos Estados Unidos da América entre 1861 e 1865. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte no exército, escreviam numa placa “0 Killed” (nenhum morto), expressando a sua grande satisfação, daí surgiu o termo “ok”. A expressão “jurar de pés juntos” surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz. E nós só queremos realmente dizer-lhe a verdade! “Queimar pestanas” é utilizada ainda nos dias de hoje, apesar de o facto real que originou esta expressão já não ser usual. Foi, inicialmente, uma frase ligada aos estudantes e designava aqueles que estudavam muito. Antes do aparecimento da electricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler. Por isso, por vezes, queimavam as pestanas. Por fim, “não perceber patavina” deriva da chegada dos frades italianos patavinos, originários de Pádua ou Padova, a Portugal. Os portugueses, como não os conseguiam entender, utilizavam esta expressão para designar o facto de “não perceber nada”. Com todas as dúvidas esclarecidas, nos despedimos. Mas, para a semana, regressam as Línguas de Perguntador com mais novidades. Continuem a enviar as vossas dúvidas para o nosso e-mail lperguntador@gmail.com. Até para a semana! E não se esqueçam: “Há uma língua que nos une”. (CLP- Marta Carvalho e Luciana Araújo, 12ºF)

Leia Mais…

Odes, livro de Ana Salomé: lançamento no dia 15 de Novembro

Ode preclara
entre o primeiro dos poemas e os seguintes
há uma luz caminhante
que vem lá de onde o mar é feito de águas nascentes
e onde o olhar é sempre o primeiro sobre as coisas
num rodopio íntimo.
entras no primeiro dos poemas
com uma passarola que navega na rebentação
e é solene o momento em que me deito na praia
descalçando as sandálias.
abro um livro de poemas antigos para tu os dizeres
todos feitos de vinho e de sal.
no primeiro dos poemas o sol é aberto
e o céu desdobra-se em esforços para encontrar
aquele azul que vive no recôndito destino das chaves
ou até no susto do peixe no bico da gaivota.
o sol indicia a tua passagem por todos os grãos de areia
as minhas axilas chegam mesmo a brilhar.
há um descanso profundo em toda a natureza
das rochas das conchas dos búzios
por lhes bastar terem o lugar certo para existirem
e saberem que são a sua respiração.
depois de entrares no primeiro dos poemas
e de caminhares até à minha sombra espúmea
é difícil distinguir o sabor da felicidade daquele mar
é fácil deixar-me sentada na toalha de xadrez
a fumar um cigarro com a tua mão.
as tuas mãos que se estreitam nos dedos
os dedos que se estreitam para entrarem
nas coisas delicadas e sombrias das coisas
por exemplo na maçã pelo caroço pela árvore
pela fonte que uma árvore pode ser
quando plantada no naufrágio do mar
todo de vinho e sal corpóreos
como o horizonte vertical
no nosso único coração.
(Ana Salomé)

Leia Mais…

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"O Som das Palavras" - O programa do CLP na rádio Barcelos

Hoje, entre as 18 e as 19 horas, o CLP esteve na rádio Barcelos: eu, a Marta, a Mónica e o Bruno (12ºF) estivemos no ar em directo na primeira emissão de "O Som das Palavras". Voltaremos daqui a quinze dias! Gostávamos de saber a vossa opinião sobre o Programa - enviem os vossos comentários, críticas e/ou sugestões para o nosso blogue.

Leia Mais…

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ana Salomé - segundo livro de poesia

«nessa mão onde cabia perfeito o meu coração Esqueceste-me. Trouxeste um dia o teu coração que batia com todos os dardejos das gaivotas do rio lá ao fundo e puseste-o a funcionar dentro do meu. Era uma coisa linda de se ver. Eu espantei-me com o sangue que se misturou tão bem, com a loucura do céu inclinada num voo em pique na nossa direcção, com a chuva presa a um quadro na parede a chorar muito baixo, muito tímida como as minhas mãos que empurravam os cacilheiros do destino sobre o rio da tua fala. Trouxeste as áleas e a lama revolvida de vida. Fomos espíritos da floresta a correr pela seiva das folhas perenes. Dei-te o sorriso com a ferocidade do sol e todas as formas do corpo na sinuosidade dos lábios a ladrilhar a proximidade do dia e da noite. Cresceu a erva nos contornos da nossa matéria de esperança. Um vento de abelhas lançou um pólen de prata sobre a fulguração do escuro nos nossos olhos. Bateu fortemente o teu coração dentro do meu. Depois esqueceste-me.» http://www.cicio.blogspot.com/ (foto de Fabianna Pazzini)

Leia Mais…

sábado, 25 de outubro de 2008

José Cardoso Pires

José Cardoso Pires morreu há dez anos (1925 - 26/ Out. de 1998)
Nasceu em São João do Peso, Vila de Rei, mas passou grande parte da sua infância e adolescência em Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões e foi aluno de Rómulo de Carvalho. Mais tarde ingressou no curso de Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências de Lisboa, que não chegou a concluir. A sua experiência da vida boémia, da rua e da noite, resultou num conhecimento que transpõe para alguns dos seus textos (Alexandra Alpha). Realizou esporadicamente trabalhos como jornalista e redactor de publicidade até se dedicar definitivamente à escrita. Foi colaborador de várias publicações entre as quais a revista "Almanaque", "Diário de Lisboa", "Gazeta Musical e de Todas as Artes" e revista "Afinidades".
Livros Os Caminheiros e Outros Contos (Contos), 1949; Histórias de Amor (Contos), 1952; O Anjo Ancorado (Novela), 1958 ; Cartilha do Marialva (Ensaio), 1960 ; O Render dos Heróis (Teatro), 1960 ; Jogos de Azar (Contos), 1963 ; 1993 ; O Hóspede de Job (Romance), 1963; O Delfim(Romance), 1968; Dinossauro Excelentíssimo (Sátira), 1972; E agora, José ? (Ensaio), 1977 ; O Burro em Pé (Contos), 1979 ; Corpo-Delito na Sala de Espelhos, 1980; Balada da Praia dos Cães(Romance), 1982; Alexandra Alpha (Romance), 1987 ; A República dos Corvos (Contos), 1988 ; Cardoso Pires por Cardoso Pires (Crónicas), 1991 ; A Cavalo no Diabo (Crónicas), 1994 ; De Profundis, Valsa Lenta, 1997 ; Lisboa, Livro de Bordo (Crónicas), 1997 ; Lavagante, editado em 2008.
Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema:"Balada da Praia dos Cães", realizado por José Fonseca e Costa (1987) e que foi um dos filmes portugueses mais vistos de sempre; "O Delfim", realizado por Fernando Lopes (2001).
Cardoso Pires ganhou vários prémios, entre os quais se desta o Prémio Camões, em 1997.

Leia Mais…

Há coisas do "arco da velha!" Mas a letra dos Deolinda é bem actual...Enviado pelo Bruno Micael

Existe uma petição na internet para alterar o hino nacional! Segundo o sitio da internet da revista Blitz, a petição pretende que o hino nacional português seja alterado, nada mais, nada menos para... "Movimento Perpétuo Associativo" dos Deolinda. (ouve a música aqui: http://www.youtube.com/watch?v=us9dIcLjfKM)
Não, não estou a brincar...Os subscritores já passam dos 1900 e se se conseguirem 5000 assinaturas válidas, o Parlamento poderá discutir o assunto na Assembleia da República! O Hino Nacional é, desde 1910, "A Portuguesa", com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil... Reproduzo aqui a justificação do autor da petição...Porque o tempo dos "heróis do mar" já lá vai há muito...Porque não somos actualmente nem "nobre povo", nem "nação valente"... Porque, como tal, não faz sentido mantermos um hino que reflecte um nacionalismo tacanho e bélico (Às armas, às armas, pela pátria lutar, contra os canhões marchar marchar" (???)) e que está completamente desactualizado e desfocado da realidade do país... Porque nesta nação reina o conformismo, a apatia e o desinteresse generalizado por aquilo que nos rodeia... Porque é preciso um "murro no estômago" para acordarmos do estado de latência a que chegámos... Porque qualquer nação que queira evoluir tem de ter uma noção clara e consciente dos seus males e dos seus vícios mais negativos; Porque não é possível continuarmos a assobiar para o lado, a fingir que está tudo bem, a acenar a bandeirinha e o cravo nas horas certas, enquanto no dia-a-dia nada fazemos para que as coisas melhorem... Porque qualquer demonstração de idealismo e convicção forte é considerado, desde logo, uma utopia, um defeito, um fracasso... Porque, em consequência disso, quem melhor se safa são cada vez mais os mediocres, os oportunistas, os "lambe-botas"... Porque se exige uma reflexão séria sobre o futuro do país... Porque é urgente que ocorra uma mudança de mentalidades no nosso país, capaz de gerar um maior dinamismo, um maior espírito crítico, uma maior irreverência... Porque precisamos de um hino que esteja realmente de acordo com a actualidade nacional, que melhor retrate o país...
Por tudo isto, os subscritores desta petição vêm, por este meio, propor o tema "Movimento Perpétuo Associativo" dos Deolinda como novo hino nacional. Para quem quer assinar esta petição poderá assiná-la no sítio http://www.peticao.com.pt/hino-deolinda
Para quem ainda não conhece os Deolinda, pode ir a www.deolinda.com.pt

Leia Mais…

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Dia Internacional da Biblioteca Escolar

O CLP colaborará com a BE no próximo dia 27, dia internacional da Biblioteca Escolar.

Leia Mais…

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sem título

video

Leia Mais…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Línguas de Perguntador (In "Voz do Minho" de 22/10/2008)

Caros leitores, mais uma semana em que as Línguas de Perguntador vão ao vosso encontro e não de encontro a vós. As duas expressões “ao encontro de” e “de encontro a” são muitas vezes mal empregues. A primeira traduz uma ideia de favorecimento, algo agradável ou bem-vindo; pelo contrário, “de encontro a” dá ideia de oposição e contrariedade. Estas duas expressões são semelhantes na forma, mas opostas na ideia que exprimem. É por isso muito importante saber a diferença entre elas para que cada um de nós consiga interpretar correctamente um texto e utilizá-las de forma adequada no dia-a-dia, para não sermos o “bode expiatório” de ninguém. “Bode expiatório”? Ora, aqui está outra expressão usualmente utilizada e que tem no sentido figurado um significado totalmente diferente do literal. O bode expiatório era um animal que era apartado do restante rebanho e deixado só na natureza selvagem, como parte das cerimónias hebraicas na época do Templo de Jerusalém. Assim, em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar a culpa de uma adversidade ou qualquer acontecimento negativo. A busca do bode expiatório é um acto irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável por um ou mais problemas. Por falar em caprinos, alguma vez lhes perguntaram “Está a pensar na morte da bezerra?”. Certamente muitas. E já pensaram no que realmente lhes pretendiam dizer? Historicamente, este ditado popular provém da Bíblia. O bezerro era um animal adorado pelos hebreus e sacrificado para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, o seu filho mais novo, que tinha grande carinho pelo animal, opôs-se, mas em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o rapaz passou o resto da vida sentado do lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois o rapaz veio a falecer. E assim, esta foi mais uma semana em que as Línguas de Perguntador deram a conhecer aos leitores o sentido de algumas expressões e ditados populares. Pretende-se assim transmitir às pessoas o bom uso da Língua Portuguesa. Para a semana, continuam as Línguas de Perguntador com outros colegas do CLP e com mais novidades. Continuem a enviar as vossas dúvidas para o nosso e-mail lperguntador@gmail.com. Até para a semana! (CLP – Marta Monteiro e Sofia Carvalho, 12ºE)

Leia Mais…

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Reunião geral do Clube da Língua Portuguesa

Amanhã, dia 22, pelas 14:00, no Auditório da Escola, o CLP vai realizar uma reunião geral. Contamos com a presença de todos!

Leia Mais…

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Línguas de Perguntar In "Voz do Minho" (15.10.2008)

O Línguas de Perguntador é “bisbilhoteiro”? Não! Só gostamos de perguntar e de procurar as respostas. Na verdade, o que fazemos pela Escola Secundária/3 de Barcelinhos não é “só para inglês ver”! Cá pelo Clube da Língua Portuguesa intrigava-nos que não nos dessem muita atenção, que não nos quisessem ouvir…Caso para dizer: “Falamos nós ou chia o carro?”. Afinal de contas, “trabalhamos como galegos” para realizarmos as actividades e para escrevermos estas crónicas em que procuramos espevitar a curiosidade das pessoas e dar a conhecer os significados das expressões que tradicionalmente são usadas pelos portugueses e, claro, pelos leitores barcelenses, já que é para eles que escrevemos, e que podem (e devem) escrever para o "Línguas de Perguntador" para colocar as dúvidas e as curiosidades que têm sobre a língua portuguesa – nós prometemos responder. Hoje falaremos das expressões “Só para inglês ver”, “Falamos nós ou chia o carro?” e “Trabalhar como galegos”. Que significam e de onde terão surgido? Bem, nós temos algumas respostas. A expressão “para inglês ver” significa que é algo sem validade real, apenas para efeitos de imagem ou aparência. Esta expressão surgiu em 1831 quando o Brasil, pressionado pela Inglaterra, promulga uma lei que proíbe o tráfico negreiro declarando livres os escravos que lá chegassem e punindo severamente os importadores. Face a esta situação, comentava-se na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, que o Ministro da época fizera uma "lei para inglês ver", ou seja, para não ser efectivamente cumprida. Já a pergunta-ameaça “falamos nós ou chia o carro?” é uma expressão que prevalece em muitas freguesias barcelenses nos dias de hoje, e que procura expressar o desagrado pelo facto de a pessoa a quem nos dirigimos não prestar a devida atenção ao que dizemos. Qual seria originalmente o contexto de uso deste dito? Não conseguimos (ainda) encontrar a resposta. Por fim, o uso da expressão “trabalhamos como galegos” tem origem na época em que o povo da nossa vizinha Galiza vinha trabalhar para Portugal, a fim de superar as dificuldades económicas, e arranjava apenas trabalhos duros. Hoje o movimento migratório continua, mas em sentido inverso, pois agora parece que afinal de Espanha não vem só mau tempo e mau casamento! Bem, para a semana o Clube da Língua Portuguesa voltará com a crónica “Línguas de Perguntador” e com mais boa “bisbilhotice” acerca da nossa Língua. (CLP: Ana Isabel Lopes e Anabela Cardoso (12ºF)) lperguntador@gmail.com

Leia Mais…

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ontem recebi uma prenda

Ontem recebi uma prenda, muito mais do que um presente de aniversário, ofereceram-me uma prenda carregadinha de afectos: obrigada a todos (vocês sabem quem...).
(Autora da foto:Ornella Erminio)
«Ao pentear-se, com o sol a entrar pela janela, perguntava a si própria se era a mesma de ontem, como se houvesse alguma lógica na relação entre a luz e o pensamento que nascia do seu gesto. Mas o que a manhã trazia era um sentimento que interrompia o passar dos minutos, e a levava a descobrir que a vida pode ser um parêntesis entre uma hora e outra. E quando se olhava ao espelho, o tempo voltava a passar no mostrador do relógio, com o ponteiro a correr no sentido inverso, trazendo-a de volta a um hoje em que amanhã é o mesmo dia de ontem.»
(Nuno Júdice)

Leia Mais…

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Pudesse eu" (Sophia)

Autor da foto: pinguboy
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Leia Mais…

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Expiação" - texto de Ana Cláudia Durães (12ºF)

(Foto de Maria José Amorim)
Com a cerimónia adequada ela pegou no lápis. Começou a escrever. O lápis oscilando freneticamente para desenhar as palavras, a mão contorcendo-se para reter o lápis nos dedos. O lápis ainda se continha. Agora as palavras…Ai as palavras…! Se pudessem saiam a voar da folha. E isso seria trágico. A rapariga desenhava letras, letras que formavam palavras. Palavras com significados cruéis, maldosos e que incitavam a violência. Mas as palavras eram selvagens e lutavam para se soltarem do papel e, uma vez fora dele, não tornavam a voltar e eram extremamente perigosas. Uma palavra é um elemento poderosíssimo que quando a soltamos nunca mais é só nossa e perdura por ciclos de gerações. Nós morremos. Elas permanecem. Então ela escrevia, com fulgor, com um ímpeto furioso. Tanto ódio impregnado que se reproduzia dentro dela. Com rapidez a desconfiança e o desespero atingiram-lhe o cérebro e quando lhe tocaram o coração transformaram-se em ódio puro. Corroeu-se assim um coração neutro, normal, indiferente, que poderia ter sido usado para o bem… Ela escrevia. O papel começou a ficar manchado, as letras difusas, pois gotas atiravam-se dos seus olhos para a folha. Não lágrimas de tristeza obviamente. Mas de raiva e de frustração. Já a mão lhe tremia e mesmo antes do suspiro final parou. Simplesmente parou. Olhou em frente. Uma tela aparecia defronte dos seus olhos. E lentamente a circundou. Era branca. Não. Era pálida. De uma palidez desconcertante. E só então viu. Pessoas. Não. Corpos. Acorrentados, sem vida, dilacerados e ainda com a expressão de medo no rosto, de terror, de dor. Apelos de ajuda mortos nas suas bocas ligeiramente abertas, algumas descaídas, outras até sem queixo e lábio inferior. Mortos, pois aos corpos faltava-lhe o fulgor, o sopro, o suspiro, o ar. Esse mesmo fulgor, sopro, suspiro e ar próprio dos vivos. E então, sentiu-se acorrentada. Correntes esmagavam-lhe os pulsos. Nada se ouvia. Até o som dos próprios movimentos era inexistente. Não gritou. Não lutou. Aceitou. Morria conformada com o fado para si escolhido. Só uma coisa ainda vivia. O ímpeto da escrita. Não furioso, não raivoso. Ondeante, delicado e suave. Teve a sua redenção. O seu momento de expiação. Conseguiu purgar o seu coração. E então ali ficou. Não torturada, não dilacerada, não desmembrada. Branca.

Leia Mais…

sábado, 11 de outubro de 2008

Torga tão actual

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena
Não podemos mudar a hora de chegada,
Bem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida. E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste. TORGA, Miguel (1995), Câmara Ardente – 3ª edição. Coimbra: Coimbra.

Leia Mais…

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Línguas de Perguntador"

Saiu hoje o primeiro artigo do CLP no semanário regional "A Voz do Minho" numa rubrica que intitulámos "Línguas de Perguntador" (ideia da Ana Isabel do 12ºF). Deixamos aqui expresso o nosso agradecimento ao Director do jornal, Dr. David Macedo, por esta oportunidade.
Aqui fica o artigo: O Clube da Língua Portuguesa (CLP) é constituído por alunos da Escola Secundária/3 de Barcelinhos que lá frequentam diferentes níveis de escolaridade. Foi criado no ano lectivo de 2006/07 por uma docente da Escola, Aida Sampaio Lemos, que tem vindo a organizar e coordenar as actividades que o CLP tem vindo a desenvolver com vista a chamar a atenção para a importância do conhecimento e do domínio da língua materna. Mais informações sobre o CLP e sobre as actividades já desenvolvida podem ser encontradas em http://www.clp-esb.blogspot.com/ e http://www.clubelingua.pt.vu/. "Aquele que pergunta e o que gosta de perguntar" é um perguntador. Nós gostamos de perguntar e de procurar as respostas. Por isso, nas "Línguas de Perguntador", tentaremos encontrar e dar respostas às muitas perguntas, de todos e para todos, que existem sobre a língua portuguesa. História das palavras, explicações para alguns dos erros que grassam por aí, curiosidades sobre a língua portuguesa, palavras cujos significados foram mudando ao longo dos tempos... traremos aqui coisas "do tempo da Maria Cachucha", mas não queremos fazer nada que fique "pior a emenda que o soneto". Já agora, sabe de onde provêm estas expressões idiomáticas de uso tão banal? A expressão "Do tempo da Maria Cachucha" é usada para referir algo antigo e a sua origem está ligada a uma dança espanhola na qual, ao som de castanholas, o dançarino começava a dançar num movimento moderado, acelerando cada vez mais, até terminar num aceso voltejo. Esta dança esteve também na moda em França, sobretudo por causa de uma dançarina famosa, Fanny Elssler, que a dançou na Ópera de Paris. Em Portugal, houve uma cantiga muito popular intitulada Maria Cachucha, ao som da qual, no séc. XIX, era usual as pessoas do povo dançarem, sendo uma adaptação da Cachucha espanhola, com uma letra bastante galhofeira. Assim, quando hoje dizemos "Isso é do tempo da Maria Cachucha" queremos exprimir o facto de ser algo do passado, antiquado ou antigo. A expressão "Pior a emenda que o soneto" utiliza-se para dizer que o conserto de algo ficou/ficará pior do que o original. O soneto é uma composição poética composta por duas quadras e dois tercetos e conta-se que um pretendente a poeta pediu a Manuel Maria Barbosa du Bocage (poeta português que viveu entre 1765 e 1805) uma avaliação de um soneto que tinha composto, dizendo-lhe que podia marcar com uma cruz os erros que encontrasse. Bocage leu o soneto e não pôs nenhuma cruz, dizendo ao aspirante a poeta que, se fosse a marcar com uma cruz os erros, seriam tantas as cruzes que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto. Voltamos para a semana com mais respostas para as "Línguas de Perguntador". lperguntador@gmail.com CLP

Leia Mais…

domingo, 5 de outubro de 2008

Dia Internacional do Professor

"Se não for professor, pense durante alguns minutos por que não escolheu esta profissão."
Se é professor, pense durante alguns minutos por que escolheu esta profissão. Lembre-se do que o motivou e não abdique disso. Mesmo em tempos como os que agora correm. Sobretudo em tempos como os que agora correm. Cartaz afixado na nossa Escola

Com o intuito de revalorizar o papel do Professor na Sociedade Moderna, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO, criou, desde 1994, o Dia Internacional do Professor, comemorado a 5 de Outubro em mais de cem países.

Leia Mais…

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dinis Machado (Lisboa, 21 de Março de 1930 - Lisboa, 3 de Outubro de 2008)

O escritor Dinis Machado morreu hoje em Lisboa, aos 78 anos. Nascido a 21 de Março de 1930, em Lisboa, Dinis Machado foi jornalista desportivo, crítico de cinema e dedicou-se também à banda desenhada. O seu maior êxito como escritor foi o romance O Que Diz Molero, editado em 1977 e reeditado em 2007, no dia do seu 77.º aniversário, e já adaptado ao teatro. Sob o pseudónimo Dennis McShade, escreveu alguns policiais, que estão agora a ser reeditados pela Assírio & Alvim. Também é autor de Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez (1984) e de Reduto quase final (1989).

Leia Mais…

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dia do sócio

Agradecemos à empresa Josar o apoio dado para a realização desta actividade.

Leia Mais…

Dia do sócio - Fotos

Leia Mais…

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia do sócio: Inscreve-te no CLP!

Inscreve-te no CLP: hoje na sala de alunos (polivalente) da Escola poderás encontrar informações sobre o clube, as actividades já realizadas e outras já planeadas para este ano lectivo.
Poderás inscrever-te no local ou em: www.clubelingua.pt.vu
Entra tu também no clube da língua que nos une e participa!

Leia Mais…