sexta-feira, 21 de novembro de 2008

"Línguas de Perguntador" de 19 de Novembro

Mais uma semana em que o Clube da Língua Portuguesa (http://www.clp-esb.blogspot.com/) da Escola Secundária de Barcelinhos está aqui, caros leitores, para esclarecer algumas curiosidades sobre expressões sobre as quais nunca paramos para pensar. Sim, aquelas expressões cujo significado todos nós pensamos que sabemos, mas, bem vistas as coisas, desconhecemos pelos menos o contexto de onde provêm. Vamos começar pelo conhecido “Sem eira nem beira”. Esta expressão surgiu há muitos anos atrás e era usada, como ainda hoje, para referir pessoas pobres, sem posses. A eira é um terreno em terra batida (ou em cimento) onde os grãos dos cereais ficavam a secar e a beira é a beirada da eira. Antigamente, aos lavradores que não tinham beira, o vento vinha e levava os grãos, ficando os produtores sem nada. Diz-se que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira (como era chamada a parte mais alta do telhado). As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado triplo, então construíam somente a tribeira ficando assim "sem eira nem beira", ou seja, ficando à mercê das intempéries climáticas. Daí a expressão ainda hoje ser usada para caracterizar as pessoas sem recursos económicos. Outra expressão também bem conhecida é “Santinha do pau oco", usada para qualificar as pessoas aparentemente amigáveis mas que não o são verdadeiramente. Esta expressão remonta aos séculos XVIII e XIX, épocas em que os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas usavam figuras de santas ocas que eram recheadas destas preciosidades para assim serem transportados do Brasil para Portugal. Na verdade, o significado de algumas expressões perde-se no tempo, tal como as superstições que vão passando de geração em geração. Lembre-se, por exemplo, da vassoura colocada com o cabo para baixo atrás da porta para “afugentar” visitas indesejáveis. Esperamos que não precise de usar este estratagema e que deixe este jornal entrar em sua casa por ser uma agradável visita. E se, eventualmente, encontrar em sua casa uma lagartixa, uma aranha ou até mesmo um grilo, não os expulse, porque há quem acredite que estes animais representam boa sorte para o lar. É melhor prevenir, mesmo se alguém achar estranho aquela pequena teia no tecto, aquela que não sabíamos que lá estava. Se funcionar (o que parece não ser muito comum), vai ver que ainda vai ser moda ter teias de aranha no tecto. Sem mais superstições ou expressões despedimo-nos. Até para a semana! lperguntador@gmail.com CLP – Marta Miranda e Marta Coelho 12ºE

1 comentário:

Diana Monteiro disse...

meninas deixaram-me esclarecida! =)


beijo