terça-feira, 15 de abril de 2008

"A ignorância escraviza-nos" por Marta Carvalho

“A ignorância escraviza-nos”
A educação tem desempenhado, ao longo dos tempos, um papel transformador na História. Podemos, assim, estabelecer uma estreita relação entre a educação e a liberdade, contextualizando-a em momentos históricos diferentes. Com efeito, recuando até às primeiras civilizações europeias, já na sociedade helénica a educação assumia uma condição preponderante na vida dos cidadãos. Embora restrita, a formação era um dos pilares para o exercício das actividades sociais e políticas, conduzindo assim ao pleno uso dos direitos enquanto cidadãos, libertando-os da escravidão. Avançando alguns séculos no tempo, já na Idade Moderna, é possível atribuir, com clareza e distinção, à educação o contributo para a liberdade dos povos. Aquando das Revoluções Liberais emerge, no interior do Terceiro-Estado (ordem social não privilegiada), uma nova ordem social – a burguesia. Lutando contra a opressão e seguindo os ideais iluministas da liberdade e da igualdade, os burgueses eram homens letrados que, através da sabedoria, libertaram os povos do jugo do absolutismo e da escravidão. Na época contemporânea, nos dias de hoje, a ignorância é, cada vez mais, um obstáculo à inovação e ao progresso. É através da educação que nos é permitido construir uma vida melhor, mais livre, e só ela nos proporciona o prazer da construção pessoal e a realização tanto a nível profissional, como social e político. Numa sociedade cada vez mais competitiva é necessário conquistarmos o nosso espaço, construindo-o baseado no conhecimento e no mérito pessoal. Em oposição à ignorância, “que nos escraviza”, eleva-se a educação, único caminho para o futuro. Para concluir, e estabelecendo uma comparação histórica, é certo que a educação foi sempre, ao longo dos tempos, um factor considerável para a afirmação dos indivíduos na sociedade em que se inserem. Mas, na Antiguidade Clássica e na época Moderna, exemplos acima mencionados, a educação era restrita. Na Idade Contemporânea a educação manifesta-se, maioritariamente, como livre e gratuita – direito de qualquer cidadão. Será então justificável o precoce abandono escolar, o analfabetismo ou a deficiente educação, numa sociedade em que toda a informação está disponível à distância de um clique? Ou será o descrédito em que caiu a educação que nos torna “escravos” da ignorância? Eis a dúvida com que me debato todos os dias, enquanto jovem que sou: Somos a geração rasca porque o queremos ou porque no-lo estão a impor? Marta Carvalho 11ºF

2 comentários:

Anónimo disse...

Bom enquadramento histórico, um belo texto. Parabéns Marta, é sempre importante estar contextualizado quando se fala de algo tão importante e antigo como é o caso do conhecimento. A dúvida paira no ar e quem sabe qual será a resposta. É uma boa maneira de pôr a nossa juventude que "compra" tudo pensado a usar o raciocínio.

Ana Lopes 11ºF

Maria José disse...

Muito bom o texto, Marta. Nele conseguiste, não só passar a mensagem sobre a ignorância que nos escraviza, como também deste a conhecer que não serás, nem és, um desses escravizados. Citando a Lopes, "muito bom enquadramento histórico!" Parabéns!